Ser
estrangeiro em Moçambique requer uma dose de paciência extra, tudo aqui demora
uma eternidade, o atendimento ao público é feito devagar, a explicação que
obtemos é vaga e se não contratarmos alguém entendido no tratamento dos
processos de legalização, a obtenção do DIRE (Direito de Residência) por exemplo, pode demorar
meses.
Quando fui
levantar o meu documento, que desde há 2 semanas passou a ser obrigatório o
levantamento pela própria pessoa, assisti a uma situação no mínimo hilariante. Dirijo-me
ao balcão e apesar de não estar ninguém no atendimento, coloco-me na fila. Esperamos,
esperamos e passados cerca de 10m entra o guarda daquele edifício, que muito
vagarosamente apresenta o local de trabalho às duas recém estagiárias que
entraram com ele. Vai ainda procurar alguém que lhes possa dar formação, devagar claro, enquanto eu e mais duas dezenas de pessoas continuamos à espera para ser atendidos. Resolvi aproximar-me e depois de um “bom dia" pergunto se
alguém nos vai atender. Resposta muito calma da pessoa que entretanto já estava a dar
formação “estou a passar o conhecimento às minhas novas colegas do trabalho, há-de-lhe
atender”. Imaginem a rapidez… Valeu-me o
telemóvel com acesso à internet. Saí passados 40m e contentíssima por só ter de
lá voltar daqui por 1 ano!
Tudo aqui é
feito devagar e quando passamos a viver num país onde as situações burocráticas
são tão diferentes e o funcionamento, ou melhor, o mau funcionamento é
constante, há que ter a capacidade de não entrar em comparações sistemáticas
com Portugal ou com um qualquer outro país desenvolvido. É muito simples, ou
nos adaptamos a esta realidade ou vamos passar o tempo todo de testa franzida e
inconformados.
Acontece
diariamente com a Luísa, a nossa empregada, que aliás, ao contrário do que é habitual,
é muito despachada e estamos muito satisfeitos por tê-la a trabalhar connosco. Há
apenas um se não, por mais que eu diga que quando sai deve deixar as
janelas fechadas porque de repente pode começar a chover, e as chuvas aqui são
verdadeiras quedas de água, e que deve colocar o cadeado a trancar o portão, raramente
o faz. Optei por deixar um papel escrito na porta, que lê obrigatoriamente antes
de sair, e assim evito repetir o mesmo todos os dias… Funciona!
E vou-me
adaptando devagar, ao ritmo desta Terra de África.
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