1 de dezembro de 2013

Devagar

  
Ser estrangeiro em Moçambique requer uma dose de paciência extra, tudo aqui demora uma eternidade, o atendimento ao público é feito devagar, a explicação que obtemos é vaga e se não contratarmos alguém entendido no tratamento dos processos de legalização, a obtenção do DIRE (Direito de Residência) por exemplo, pode demorar meses.

Quando fui levantar o meu documento, que desde há 2 semanas passou a ser obrigatório o levantamento pela própria pessoa, assisti a uma situação no mínimo hilariante. Dirijo-me ao balcão e apesar de não estar ninguém no atendimento, coloco-me na fila. Esperamos, esperamos e passados cerca de 10m entra o guarda daquele edifício, que muito vagarosamente apresenta o local de trabalho às duas recém estagiárias que entraram com ele. Vai ainda procurar alguém que lhes possa dar formação, devagar claro, enquanto eu e mais duas dezenas de pessoas continuamos à espera para ser atendidos. Resolvi aproximar-me e depois de um “bom dia" pergunto se alguém nos vai atender. Resposta muito calma da pessoa que entretanto já estava a dar formação “estou a passar o conhecimento às minhas novas colegas do trabalho, há-de-lhe atender”.  Imaginem a rapidez… Valeu-me o telemóvel com acesso à internet. Saí passados 40m e contentíssima por só ter de lá voltar daqui por 1 ano!

Tudo aqui é feito devagar e quando passamos a viver num país onde as situações burocráticas são tão diferentes e o funcionamento, ou melhor, o mau funcionamento é constante, há que ter a capacidade de não entrar em comparações sistemáticas com Portugal ou com um qualquer outro país desenvolvido. É muito simples, ou nos adaptamos a esta realidade ou vamos passar o tempo todo de testa franzida e inconformados.

Acontece diariamente com a Luísa, a nossa empregada, que aliás, ao contrário do que é habitual, é muito despachada e estamos muito satisfeitos por tê-la a trabalhar connosco. Há apenas um se não, por mais que eu diga que quando sai deve deixar as janelas fechadas porque de repente pode começar a chover, e as chuvas aqui são verdadeiras quedas de água, e que deve colocar o cadeado a trancar o portão, raramente o faz. Optei por deixar um papel escrito na porta, que lê obrigatoriamente antes de sair, e assim evito repetir o mesmo todos os dias… Funciona!

E vou-me adaptando devagar, ao ritmo desta Terra de África.

 

Sem comentários:

Enviar um comentário